Em janeiro anúncio de política para priorizar otimização de investimentos

A homilia do forjadores das expectativas racionais, neste final de ano, começaria assim: “Obrigado, Senhor, por atender aos nossos pedidos vergando o governo em relação a sua política fiscal”. Em seguida o regozijo geral: “Chegou a hora de encontrar um outro boi de piranha”.


Todos os ventos que sopram do Palácio do Planalto indicam que a presidente Dilma Rousseff caminhará na direção de atender o senhorio da economia. Vai mudar os critérios de referência do resultado fiscal: sai a dívida líquida e entra a dívida bruta. Para ser mais preciso, sai a meta de superávit primário e entra a meta de redução do déficit nominal.


Fonte preciosa do RR informou que, no início de 2014, a presidenta pretende reunir parte do PIB empresarial em um grande evento, no qual anunciará, com pompa e circunstância, a decisão do governo de priorizar uma política voltada à otimização dos investimentos, que começaria com o firme compromisso de austeridade fiscal.


O compromisso valerá como item do seu programa de campanha, um discurso dirigido ao empresariado, pois, como se sabe, Dilma já está eleitíssima. A promessa para 2014, conforme anteciparam vários jornais, seria um resultado modesto na geração do superávit primário, o suficiente para equilibrar a relação dívida líquida/ PIB, algo como 1,7% ou 1,8%.


O agrado maior seria a manifestação firme de que o governo não utilizará qualquer trucagem contábil para expandir as despesas, driblando o cálculo do superávit. Esse peteleco seria sucedido pelo anúncio da meta grandiloquente de redução do déficit nominal até 2018.


A outra novidade é que Dilma cogita dividir parte da responsabilidade pela política fiscal com o Congresso Nacional. A ideia é prosseguir no caminho bem sucedido do pacto com a base aliada para contenção dos projetos de lei que possam infligir pesados gastos ao Estado.


Há muito no que envolver o Congressonessa área. Os parlamentares são responsáveis por grande parte do abominado déficit público, através das suas emendas orçamentárias. Na agenda de discussões, estariam também as verbas
Constitucionalmente engessadas e o pacto federativo.


Assuntos barra pesada, sem dúvida. Mas a pressão para que Dilma remexa mais fundo nesse vespeiro é monumental. A questão fiscal tornou-se uma obsessão na mesma linha do que foram a saúva, a febre amarela e a seca do Nordeste – no caso destas últimas havia motivações trágicas para tal fixação. Alguém duvida?


Pois, então, vejam os dados do Google. O analista econômico Antônio Machado escreveu no site de busca as expressões
“superávit primário” e “crescimento econômico”. Adivinhem o que deu? O número de resultados acusado para superávit primário é 46% maior.


O Relatório Reservado ficou curioso e foi confirmar se a tara era verdadeira ou não. Colocou no site as expressões “inflação” e “déficit público”, com a lembrança de que o Google foi criado em 1998. Pois bem, a “inflação” ficou rasinha, com 2,44 milhões de registros.


Quanto ao “déficit público”, o número de resultados bateu os 11,5 milhões. Trata-se de uma elite adicta em questões fiscais? Ou uma ferramenta de desestabilização de governos indesejáveis? Ou uma tecnicalidade relevante para o sucesso de qualquer política econômica? Quem cravar todas as respostas talvez tenha a chave da anomalia (Relatório Reservado, 9/12/13).