Tereos: Feliz ano velho

É bom a francesa Tereos abrir bem os olhos. A Petrobras Biocombustíveis está decidida a não participar de nenhum aumento de capital da Açúcar Guarani em 2014. No ano passado, a estatal despejou R$ 225 milhões no caixa da companhia
Com caixa, São Martinho segura expansão.


Diante de um cenário de baixa rentabilidade do etanol que se arrasta há anos, o grupo sucroalcooleiro São Martinho decidiu pela parcimônia na hora de investir em expansão. Na próxima temporada, a 2014/15, a companhia projeta injetar de R$ 420 milhões a R$ 430 milhões no negócio, basicamente na manutenção da operação. Nenhum novo projeto de expansão está previsto.


O Capex de manutenção para o próximo ciclo é praticamente igual ao desta safra 2013/14 - cuja moagem foi encerrada nesta semana - mais a inflação do período, diz o presidente da São Martinho, Fábio Venturelli. E não há no horizonte nenhum investimento novo em expansão, nem aquisição, garante o executivo. "Não considero que agora é a hora de fazer negócio. Para ser interessante, o ativo tem que ter o preço certo e sinergia com a empresa. Não vejo neste momento nenhuma oportunidade", afirmou Venturelli ao Valor.


O executivo admite que no futuro, dependendo do que acontecer no setor - sobretudo em relação à previsibilidade dos preços dos combustíveis -, haveria espaço para fusões e aquisições. Com essa estratégia, a empresa conseguiria, por exemplo, cumprir o plano traçado em 2007, quando projetou alcançar uma moagem de 30 milhões de toneladas em 15 anos.


Desde 2010, a São Martinho aplicou, diz Venturelli, R$ 1 bilhão para sair de uma moagem de 13 milhões de toneladas (2009/10) para 17 milhões de toneladas (2014/15) - volume proporcional à participação do grupo na Usina Santa Cruz (33%) e na Usina Boa Vista (51%).


Esse ciclo começou em junho de 2010, quando a Petrobras Biocombustível passou a ser sócia do grupo na joint venture Nova Fronteira Bioenergia, voltada à produção de etanol no Centro-Oeste. A usina pertencente à parceira, a Usina Boa Vista, saiu de uma moagem de 1,5 milhão de toneladas de cana para 4,2 milhões de toneladas. O plano inicial era atingir nessa unidade 8 milhões de toneladas de processamento, tudo dedicado à produção de etanol. Mas a persistência do cenário negativo para a rentabilidade do biocombustível fez com que as companhias adiassem a segunda fase do projeto por prazo indeterminado.

Houve ainda em 2010 o início do projeto de cogeração de energia a partir do bagaço da cana, concluído em maio deste ano e que vai operar com capacidade total em 2013/14. O grupo comprou também uma participação acionária (33%) na usina Santa Cruz, e em 2012, adquiriu canaviais da usina São Carlos, da Biosev, braço sucroalcooleiro da francesa Louis Dreyfus Commodities.


O grupo encerra esse ciclo de R$ 1 bilhão nesta entressafra, com a ampliação da unidade São Martinho, que já era a maior do mundo com moagem de 8 milhões de toneladas, e que vai ser ampliada para processar 10,5 milhões de toneladas.
Com o "amadurecimento" de todos esses investimentos, analistas projetam que a geração líquida da caixa do grupo vai quase dobrar em 2014/15, para R$ 350 milhões e R$ 400 milhões, ante os R$ 200 milhões estimados para a atual temporada.


Ontem, a companhia informou que encerrou a moagem de cana de 2013/14 com 15,592 milhões de toneladas processadas, 20,9% de aumento sobre o ciclo anterior. A produção de etanol anidro cresceu 42,5%, para 252 milhões de litros, e a de hidratado, 40,8%, para 387 milhões de litros. A produção de açúcar cresceu 1,7%, para 986 mil toneladas